Tesouro IPCA+ ou Prefixado

Como cada título funciona, quando um supera o outro e o que é marcação a mercado.

Tesouro DiretoIPCA+Prefixado

8 min de leituraPublicado em 31 de maio de 2026Atualizado em 10 de outubro de 2026Selic: 14,50% a.a.

Gráfico com as trajetórias do Tesouro IPCA+ e do Tesouro Prefixado até o vencimento

Taxas atualizadas em 08/10/2026: a Selic hoje é 13,75% ao ano e o CDI, 13,65%. Os exemplos deste artigo usam as taxas de maio de 2026 (Selic de 14,50%). Para refazer as contas com as taxas de hoje, use o comparador de renda fixa.

No Tesouro Direto, dois títulos atraem a maior parte dos investidores de longo prazo: o IPCA+ e o Prefixado. Os dois têm taxas atrativas em 2026, mas funcionam de formas muito diferentes — e escolher errado pode significar rendimento abaixo do esperado ou até perda se você precisar vender antes do prazo.

Como funciona cada um

O Tesouro IPCA+ paga uma taxa fixa mais a variação do IPCA (índice oficial de inflação). Se você compra um título a IPCA+ 7,50%, vai receber a inflação do período somada a 7,50% ao ano reais — independentemente de qual seja o IPCA. Com inflação a 5%, seu rendimento bruto total é de aproximadamente 12,75% ao ano.

O Tesouro Prefixado paga uma taxa completamente fixa. Se a taxa contratada for 13,50% ao ano, você vai receber exatamente 13,50% ao ano brutos, sem nenhum ajuste de inflação. Você sabe exatamente quanto vai receber no vencimento.

Característica Tesouro IPCA+ Tesouro Prefixado
Taxa em 2026 IPCA + 7,50% a.a. 13,50% a.a.
Proteção contra inflação Sim — segue o IPCA Não
Rendimento conhecido Apenas a parte real Total, desde o início
Risco de inflação alta Baixo Alto
Risco se precisar vender antes Alto (marcação a mercado) Alto (marcação a mercado)
Tributação IR regressivo (15–22,5%) IR regressivo (15–22,5%)

Marcação a mercado

Este é o ponto mais ignorado por quem compra Tesouro Direto pela primeira vez. Ao contrário do CDB ou da poupança, o preço dos títulos do Tesouro varia diariamente conforme as expectativas do mercado para os juros futuros.

Quando os juros sobem, o preço do título cai (quem quiser comprar no mercado vai exigir um retorno maior). Quando os juros caem, o preço sobe. Isso afeta diretamente quem precisa vender antes do vencimento.

Um exemplo concreto: se você comprou Tesouro IPCA+ 2035 a IPCA+ 7,50% e, 2 anos depois, a taxa de mercado subiu para IPCA+ 9%, o preço do seu título caiu. Se vender agora, pode receber menos do que investiu nominalmente. Se esperar até 2035, recebe o acordado — IPCA + 7,50% ao ano.

Regra básica: só invista em IPCA+ ou Prefixado o dinheiro que você tem certeza que não precisará antes do vencimento. Para reserva de emergência ou recursos com liquidez necessária, use o Tesouro Selic, que não tem esse risco.

Quando escolher o IPCA+

O Tesouro IPCA+ se destaca em três cenários:

  • Objetivo de longo prazo (aposentadoria, educação dos filhos, 10+ anos): protege o poder de compra do dinheiro contra a inflação.
  • Taxas reais historicamente altas: com IPCA+ 7,50% você está travando uma taxa real muito acima da média histórica de longo prazo (que fica entre 4% e 5%). Isso raramente aparece.
  • Incerteza sobre inflação futura: se você acha que a inflação pode surpreender para cima, o IPCA+ te protege automaticamente.

Quando escolher o Prefixado

O Prefixado faz sentido quando:

  • Você acredita que os juros vão cair: se a Selic cair de 14,50% para 10%, um Prefixado a 13,50% vai parecer ótimo em retrospecto — e o preço do título vai subir, podendo ser vendido com lucro antes do vencimento (marcação positiva).
  • Você quer certeza absoluta do valor no vencimento: sabe exatamente quanto vai receber, sem dependência do IPCA.
  • Prazo mais curto (1 a 3 anos): a volatilidade da marcação a mercado é menor e a previsibilidade é maior.

E o Tesouro Selic?

O Tesouro Selic é o mais conservador dos três. Ele acompanha a taxa Selic diariamente, sem marcação a mercado expressiva. É o ideal para a reserva de emergência, para quem não tolera ver o saldo oscilar, ou para quem não tem certeza sobre o prazo que vai precisar do dinheiro.

Em momentos de Selic alta como o atual, o Tesouro Selic também oferece rentabilidade excelente (próxima de 14,50% bruto ao ano) — e com liquidez diária real.

Resumo

Situação Melhor escolha
Reserva de emergência Tesouro Selic
Objetivo com 1–3 anos, quer taxa certa Tesouro Prefixado
Aposentadoria / longo prazo (10+ anos) Tesouro IPCA+
Acha que os juros vão cair muito Tesouro Prefixado longo
Quer proteger poder de compra Tesouro IPCA+
Não sabe quando vai precisar Tesouro Selic

No cenário atual, com taxas reais (IPCA+) em 7,50% e Prefixado a 13,50%, ambos são historicamente atrativos. A decisão depende principalmente do seu horizonte de tempo e da sua tolerância à variação de preço no curto prazo.

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Perguntas frequentes

O Tesouro IPCA+ é mais seguro que o Prefixado?

Ambos têm a mesma segurança: são garantidos pelo governo federal. O IPCA+ protege contra inflação alta; o Prefixado oferece taxa certa. Nenhum dos dois é "mais seguro" — eles têm riscos diferentes. Se precisar vender antes do prazo, ambos podem sofrer marcação a mercado.

Posso perder dinheiro no Tesouro Direto?

Se levar o título ao vencimento, não. Se vender antes, o preço é de mercado e pode ser menor que o investido. Por isso, esses títulos são para quem pode esperar o prazo final.

Quando o IPCA+ paga mais do que o Prefixado?

Quando a inflação realizada é maior do que o que estava precificado no Prefixado. Exemplo: Prefixado 13,50% vs IPCA+ 7,50%. Se o IPCA for 7% ao ano, o IPCA+ rende 14,50% bruto — mais que o Prefixado. Se o IPCA for 4%, o IPCA+ rende 11,50% — menos que o Prefixado.

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Fontes oficiais

Taxas, tabelas e regras usadas nesta página vêm destes órgãos. Confira os valores vigentes antes de decidir.