O que é o preço-teto pelo dividendo alvo
O método estima o provento por ação que a empresa deve pagar e pergunta quanto você pagaria pela ação para receber, no mínimo, 6% ao ano desse provento, o rendimento mínimo de Décio Bazin. Se você quiser exigir mais por causa do risco da empresa, soma um prêmio de risco a esses 6%.
O provento esperado olha para trás e para a frente ao mesmo tempo: a mediana do que foi pago em cada um dos últimos anos e a projeção para daqui a 1 ano, pelo lucro, pelo payout e pelo crescimento. A média dos dois suaviza anos fora da curva sem ignorar para onde o lucro aponta. É o mesmo método “Dividendo alvo (passado + 1 ano)” usado no preço-teto de cada ação do Painel Pro.
Fórmula
A calculadora segue estas etapas, nesta ordem:
provento projetado = lucro × payout ÷ ações em circulação × (1 + g)
provento histórico = mediana dos proventos por ação pagos em cada ano
provento alvo = média dos dois (ou só o que existir)
taxa exigida = 6% + prêmio de risco
preço-teto = provento alvo ÷ taxa exigida- Lucro: lucro líquido dos últimos 12 meses. Com lucro negativo ou payout zero, vale só o histórico de proventos.
- Payout: fatia do lucro paga como dividendos e juros sobre capital próprio (entre 0% e 100%).
- Ações em circulação: total de ações menos as que a empresa mantém em tesouraria.
- g: crescimento esperado dos proventos no próximo ano.
- Proventos pagos: dividendos e JCP por ação de cada ano. A mediana ignora um ano extraordinário melhor do que a média. Sem histórico, vale só a projeção.
- Prêmio de risco: retorno a mais que você exige sobre os 6%.
Com a cotação em mãos, a margem até o preço-teto sai de:
margem = (preço-teto − cotação) ÷ preço-tetoDe onde vem o crescimento
Se você informar o ROE, a calculadora sugere o crescimento sustentável: a parte do lucro que a empresa retém, reinvestida ao mesmo ROE. Se ela distribui 30% do lucro, retém 70%; com ROE de 15%, o lucro cresce 15% × 70% = 10,5%. O valor sugerido fica entre −10% e 15% ao ano, os mesmos limites do Painel Pro, e você pode trocá-lo.
Exemplo
Uma empresa (exemplo) teve lucro líquido de R$ 1,0 milhão nos últimos 12 meses, payout de 30%, ROE de 15% e 1,0 milhão de ações em circulação. Nos últimos 5 anos pagou R$ 0,27, R$ 0,30, R$ 0,25, R$ 0,31 e R$ 0,28 por ação. Você não exige prêmio de risco.
- Crescimento: 15% × (1 − 30%) = 10,5%.
- Provento projetado: R$ 1,0 mi × 30% ÷ 1,0 mi de ações × 1,105 = R$ 0,3315.
- Provento histórico: a mediana de 0,25, 0,27, 0,28, 0,30 e 0,31 é R$ 0,28.
- Provento alvo: (0,3315 + 0,28) ÷ 2 = R$ 0,3058.
- Preço-teto: R$ 0,3058 ÷ 6% = R$ 5,10 por ação.
Se a ação estiver cotada a R$ 4,50, a margem até o preço-teto é de cerca de 11,7%. Com um prêmio de risco de 2% (taxa de 8%), o teto cai para R$ 3,82 e a ação já estaria acima dele.
Limitações
- Proventos não são garantidos. O método supõe que a empresa vai continuar pagando perto do que pagou e do que o lucro permite. Lucro em queda puxa os proventos para baixo.
- Lucro de um único período. Lucros não recorrentes (venda de ativos, créditos tributários) inflam a projeção. Prefira o lucro recorrente.
- Crescimento só no primeiro ano. A projeção olha apenas os próximos 12 meses; não é um fluxo de caixa descontado.
- Sensível à taxa. Passar o prêmio de 0% para 2% (taxa de 6% para 8%) reduz o preço-teto em 25%.
- Não olha o balanço. Dívida alta, setores cíclicos e empresas que não pagam proventos pedem outros métodos.
Referência
O rendimento mínimo de 6% vem de Décio Bazin, Faça Fortuna com Ações, Antes que Seja Tarde (1992). A relação entre retenção, retorno sobre o patrimônio e crescimento (g = ROE × retenção) é a base do modelo de Myron J. Gordon, em The Investment, Financing, and Valuation of the Corporation (1962). Para comparar, veja também a fórmula de Graham e o método Bazin, ou o preço-teto de cada ação (Painel Pro) calculado por todos os métodos.